
PARTE III:
Enquanto caminhava pelas ruas de Ipanema, observava a noite. Era uma noite clara, e as estrelas brilhavam como se quisessem jogar um pouco de seu brilho na cidade. Olhar isso era a única coisa que me acalmava. Meu rosto estava corava do frio que aumentava me fazendo apressar o passo.
Em menos de dez minutos cheguei em casa. Entrei devagar. O cheiro de hortelã entrou em minhas narinas, me fazendo relaxar. Desde que Eduardo se foi, o lugar parecia vazio, estranho. Era como se as suas coisas tivessem ficado, incluindo seu bom gosto para aromatizantes de ambiente. Luke e eu tivemos que arrumar tudo para a entrevistar um provável novo colega de quarto. Ele chegaria na próxima semana, por isso, usar aromatizantes não era nenhum pecado.
Meu coração disparou só de pensar em Luke. Já era a terceira vez que me pegava pensando naqueles olhos. Estava preocupada em esquecer de respirar, tamanha a distância que eu assumia da realidade nestes momentos. Não, não e não, não estou apaixonada de jeito nenhum. Estava convencida que sentia apenas uma atração e nada mais, tanto porque, é impossível se apaixonar por alguém quando mal fala com essa pessoa, e só está conhendo-a agora.
De repente, ouço o barulho da porta se abrir.
- MERDA! - berrou Luke, com cara de ódio. Os seus olhos cor de mel pairavam sobre meu rosto. Eu tive medo, pois sua cara lembrou-me do sonho que eu havia tido a minutos atrás.
- A-aconteceu alguma coisa, Luke? - gaguejei. Me senti trêmula, e então tomei coragem e olhe firme pra seus olhos. Ele cedeu.
- Me desculpe, Nan. - gemeu ele. - Não foi a minha intenção te assustar.
Luke pegou em meu rosto com a mão direita. Me arrepiei. Ele me tocando, trouxe uma sensação boa. Luke me olhou como se eu fosse a melhor coisa que tivesse acontecido com ele. Luke estava bêbado.
A decepção tentou vir, mas eu não a deixei. Luke começou a cambalear um pouco e caiu de lado. Não tinha jeito. Era preciso esquecer essas sensações. Ajudei-o a levantar, e o coloquei na cama, arrumado como uma criança para dormir. Apaguei a luz e, quando me virei, ele falou meu nome praticamente num sussurro:
- Nancy!
- O que foi? - olhei para ele, surpresa.
- Fica comigo.
Sentei na poltrona ao lado da sua cama, e lá fiquei até perceber que ele havia dormido. O que será que aconteceu para Luke ficar tão bêbado? Porque ele pegou em meu rosto? Tantas perguntas e poucas respostas. Precisava dormir, mas estava com medo de sonhar de novo. Passei a noite em claro pensando em respostas para perguntas infinitas. Uma coisa eu sabia: Não poderia me entregar tão facilmente a esse sentimento.
[Fim da PARTE III]
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