
Parte VI:
Eu estava deitada em minha cama, sem nada para fazer. Imaginei que o mundo inteiro ao meu redor tinha sumido e só tinha eu e mais ninguém. Comecei então a meditar.
De repente, alguém abre a porta.
- Nancy? - diz a voz. Eu não sabia quem era, meus olhos estavam fechados e eu não estava no humor de abrí-los.
- Meditando. - respondi com uma voz áspera e cortante. - Não me atrapalhe.
- Desculpe... Eu queria falar com você. - disse a voz. A voz não me era estranha. Estava chorosa, diferente da de costume. Era Luke. Abri os olhos imediatamente antes que ele fechasse a porta.
- LUKE! -berrei. - O que aconteceu?
Os olhos de Luke estavam inchados, e ele parecia mostrar com um grande esforço que não estava chorando. Haviam cartas nas suas mãos e ele parecia estar preocupado.
- Er... Correspondência. - sorriu falsamente. - Chegaram três cartas para você. Engraçado, que tem uma da delegarcia municipal.
- Certo, valeu. E porque você está chorando? - eu perguntei. Ele corou e disfarçou.
- Eu não estou chorando... Tome suas cartas. - friamente, ele as jogou sobre meu colo. Deu meia volta em direção da porta e rispidamente, abriu. Antes que ele fechasse, eu falei:
- Ok, freezer. - eu falei rispidamente. - Se você não quer me falar, tudo bem. Agora pode sair do meu quarto "sem me informar", porque eu não quero ninguém me tratando mal. Se quer falar comigo, então fale, mas se quer ser um freezer, vá para cozinha.
- Começou o drama. - ele emburrou. - Sério, Nancy. Eu não estou no humor para seus dramas.
- Drama!? - perguntei irônicamente. - DRAMA!? Quando eu te chamo de freezer, eu não estou estou sendo dramática. As vezes você é tão gelado que congela qualquer um.
- Não fale isso... - falou ele tristemente.
- Eu estou falando sério, mas não quero que você fique triste. Eu já me acostumei, quero dizer, não gosto, mas já me acostumei.
Quando eu disse isso, ele abriu um saorriso sem graça. Deu meia volta e me abraçou e me deu um beijo no rosto. Eu poderia jurar que os seus lábios quase tocaram nos meus, mas acho que deve ter sido impressão minha, ou então deve ter acontecido sem querer. Mesmo assim, eu não deixei de corar.
- Nan? - ele me chamou, mesmo eu estando do lado dele. - Eu vou te contar... - ele falou, com pausa em suspiros.
- Pode falar.
- M-minha mãe, ela teve um infarto e está no hospital - ele desabafou.
- Luke, eu sinto muito... - eu não acreditava no que estava ouvindo, pobre Luke. - Tem algo que eu possa fazer por você? - nesse momento, comecei a abrir as correspondências que estavam no meu colo.
- Não, não precisa. Eu quero ficar um momento sozinho... Não sei se vou ter coragem de ir no hospital de qualquer jeito.
Eu abri o envelope enviado pela delegarcia. Eu não acreditava no que estava vendo.
Fim da PARTE VI.
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