Parte VII
"Senhorita Morgan,
temos o prazer de informar-lhe que o seu pai estará saindo da prisão no fim da tarde do dia 03/09/08.
Você terá que comparecer ao tribunal para prestar depoimento sobre a queixa que a Senhorita deu a doze anos atrás de abuso sexual/ pedófilia/ homícidio.
Garantimos que o preso não poderá machucá-la verbalmente, nem poderá machucá-la fisicamente.
Espero que compareça ao tribunal final do seu pai, Sr. Marcelo Queiroz Da Silva Morgan.
Atenciosamente,
Luíz Inácio Carvalho do Preu, Juíz."
Não podia acreditar no que estava lendo. Não podia ser verdade. Meus olhos encheram de lágrimas e parecia que o meu mundo, o mundo que eu me resguardei e me fechei, recusando-me a lembrar do meu passado, tinha acabado de cair e se chocado com o mundo real.
Eu não pude conter as lágrimas que desciam sem se conterem. Eu estava perdida, simplesmente não conseguia pensar em o quão importante aquilo seria para mim, ou para Marcelo. (Não conseguia chamá-lo de pai.)
Luke estava perpléxo. Não fazia nada, além de desviar o olhar. Eu não entendia porque ele não estava conseguindo me olhar, ou então ignorava o fato de que eu existia. De repente, quando ele viu que eu estava me acalmando, ele perguntou:
- Nancy, o que aconteceu?
- Er... - eu não sabia o que diria para ele. A verdade? Será que eu já podia confiar nele assim, tão rápido? - Luke, eu não sei se devo dizer... É muito pessoal.
- Nancy, confie em mim. - ele olhou diretamente nos meus olhos. - Aliás, você me deixou curioso com isso tudo. O que você fez, mocinha?
- Luke, não é brincadeira. - falei séria. - Eu não sei se posso te contar. Acho que seria melhor a gente parar por aqui.
- Ah, não! Logo quando estava ficando interessante? Vamos Nancy, largue de besteira - ele pegou no meu queixo - você sabe que eu não faria NADA com você... Ao contrário, eu não quero fazer NADA com você... Nem sexo, não adianta insistir. - ele riu maliciosamente, me fazendo dar uma risadinha.
- Certo, então. - eu falei, suspirando, e limpando as lágrimas, que já estavam secando, do meu rosto. - Eu fui molestada por meu pai quando eu tinha 8 anos, logo depois que ele matou minha mãe. E agora, eu estou sendo chamada para o tribunal, onde vão ver se retiram a pena de prisão perpétua, e diminuem a setença.
A cara de Luke estava branca. Branca feito papel. Eu nunca tinha visto ele tão pálido do jeito que estava agora. Ele pegou em minha mão.
- Você quer que eu vá com você? - ele sorriu de um jeito calmo, e me passou bastante tranquilidade.
- Você faria isso por mim? - eu sorri. Não pude conter uma lágrima que descia vagarosamente pelo meu rosto.
- Claro, Nancy! Você É a minha melhor amiga. - ele me abraçou e limpou a lágrima que havia caído do meu rosto. Nesse momento, nossos lábios quase se tocaram, de tão perto que ele chegou do meu rosto, mas rapidamente ele se afastou.
Ele rispidamente levantou-se da minha cama sem graça...
- Nancy, er... E-eu preciso ir - gaguejou. - Me desculpe... Depois nós conversamos. - deu um sorriso falso e saiu.
Que diabos está acontecendo com ele?
[Fim da PARTE VII]
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